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Ficha Técnica

Autores:
Gil Barbieri, Patrícia Miho Tsunoushi, Thomas Yano, Victor Presser, Barbara Camucce, Ciça Gorski

Colaboradores:
Ana Clara Trench, Bárbara Moura e Oliveira Mühle, Douglas Alexandre Melo de Oliveira, Gabriel Dierings Montechese, Lucas Vassali de Barros, Marcelo Bertolato Bicalho, Marcos Antonio da Silva Martins Filho, Nathan Murilo de Iara, Ricardo Iannuzzi, Tomás Vannucchi, Vinícius Rodrigues Ferreira, Vitória Kananda

Consultores:
Estrutura de madeira – Helio Olga Jr.
Estrutura de concreto – João Akira Okimura de Souza
Geotecnia e fundações – Sérgio Ricardo Pedrozo de Mello
Instalações elétricas e hidrossanitárias – Luiz Olímpio Costi
Sistema de climatização – Guilherme Pena
Projeto de Proteção Contra Incêndio - Ana Flores
Infrasestrutura verde e recuperação de áreas degradadas – Maitê Bueno Pinheiro


MEMORIAL CONCEITUAL

O conceito de “confluência” orienta a concepção do projeto. No terreno destinado ao novo Sesc Thermas de Presidente Prudente, esse princípio se manifesta pela água: a chuva que desce das encostas, as águas termais que afloram do subsolo e o córrego que atravessa o fundo do vale compõem um sistema vivo e dinâmico. O projeto reconhece essas presenças e as integra ao desenho arquitetônico e paisagístico, de modo que a água se torne recurso de cuidado, elemento estruturador e expressão estética.
A leitura do lugar revela a necessidade de compreender os fluxos hídricos como condicionante principal. Em vez de tratados como obstáculo, os caminhos da água foram incorporados ao projeto, orientando percursos, conformando espaços e oferecendo experiências sensoriais. Assim, edifício e parque se complementam, na articulação indissociável entre arquitetura, território, natureza e infraestrutura.

Integração com o território - O conjunto organiza-se a partir de dois eixos principais. O primeiro, transversal, denomina-se Galeria das Águas. Ele conecta a entrada pela Rua Alberto Peters ao fundo do vale, revelando gradualmente a paisagem. Ao longo desse percurso, sucedem-se espaços de convivência, cobertos e ao ar-livre. O segundo, de caráter longitudinal, recebe o nome de Eixo Paisagem. Ele estabelece um passeio sombreado entre a Avenida Luiz Perett e a Rua Alberto Peters, costurando os acessos de pedestres e articulando as diferentes zonas do parque. Na interseção dos dois eixos localiza-se a Praça Central, ponto de encontro do conjunto, espaço de convivência e convergência da arquitetura com o parque.

A implantação do edifício respeitou as condicionantes ambientais. As construções foram erguidas em platôs acima da cota de inundação, aproveitando clareiras existentes e evitando a supressão de árvores. O parque foi concebido como infraestrutura de drenagem, com biovaletas, jardins filtrantes e bacias de retenção. Esses elementos contribuem para a diminuição da erosão, filtragem de sedimentos, recarga do lençol freático e melhoria do microclima. A edificação, portanto, não se sobrepõe ao território, mas atua em sintonia com sua lógica natural.

Estruturação do programa - A organização programática da unidade buscou articular clareza funcional, integração entre atividades e legibilidade dos fluxos. O edifício se estrutura em dois volumes principais: o bloco esportivo, que concentra as atividades aquáticas e esportivas em espaços de grandes vãos, favorecendo a sobreposição de vestiários, áreas de apoio e fluxos; e o bloco cultural, implantado em diálogo com a topografia, onde se encontram o teatro, a biblioteca, os espaços educacionais, o setor administrativo e os ambientes de bem-estar. Entre ambos se estabelece a Galeria das Águas, vazio estruturador que articula os percursos e ordena a circulação geral.

No pavimento térreo, ao nível da entrada principal pela Rua Alberto Peters, localiza-se a praça de convivência, configurada como espaço amplo e acessível, concebido como ponto de recepção e distribuição. Dela partem os principais ambientes de uso público: recepção, loja, áreas de atendimento, sala expositiva, salas multiuso e o foyer do teatro. Nesse mesmo pavimento, uma vitrine descortina as piscinas cobertas situadas em nível inferior, revelando a integração visual entre programas. A biblioteca se posiciona em uma segunda praça, mais reservada, voltada para o bosque, oferecendo um espaço de escala íntima e tranquila, propício à leitura e ao estudo, em contraste com a vitalidade da praça central.

O primeiro pavimento concentra o setor administrativo, com acesso restrito aos funcionários. Esse volume se volta para uma área serena do parque, separado do conjunto público pelo corpo do teatro, o que garante discrição e autonomia no funcionamento interno.
No segundo pavimento, organiza-se uma praça elevada que atua como espaço de encontro e distribuição. A partir dela, o visitante pode observar as salas multiuso, aguardar atendimento na fisioterapia ou odontologia, acompanhar atividades esportivas na quadra poliesportiva ou esperar por usuários nos vestiários. A disposição dos ambientes privilegia a ventilação cruzada e a iluminação natural, qualificando o conforto ambiental.

O terceiro pavimento é ocupado pela sala de ginástica, localizada acima dos vestiários e em continuidade ao grande pé-direito da quadra. Esse espaço mantém conexão visual direta com a área esportiva e com a praça de convivência, além de oferecer vistas amplas para o parque.
A cobertura foi concebida como área técnica. Nela se concentram os sistemas de infraestrutura, incluindo placas solares para aquecimento de água, painéis fotovoltaicos e as unidades condensadoras de climatização. Passarelas técnicas leves asseguram a manutenção segura sem comprometer a estética do conjunto.

O pavimento inferior estabelece a conexão mais direta entre o edifício e o parque. Ali se encontram a comedoria, núcleo central de alimentação integrado a uma ampla varanda aberta que se estende entre escadarias, arquibancadas e espelhos d’água. Esse espaço é ligado logisticamente às docas por um corredor iluminado e ventilado naturalmente, garantindo eficiência operacional. Próximos à comedoria situam-se setores de serviço, áreas técnicas, camarins, vestiários de funcionários e serviços de apoio. No extremo norte, implantam-se as piscinas cobertas, acompanhadas por seus vestiários e áreas de suporte. A piscina externa, tratada como parque aquático, se abre em um amplo solário conectado ao parque, beneficiado por insolação ao se voltar para o norte, plena e configurado como mirante para o vale.
O subsolo, implantado com apoio da laje-plataforma em concreto, abriga o estacionamento de veículos leves, além de áreas de carga e descarga, docas, setores técnicos e de manutenção. Esse nível foi concebido como infraestrutura essencial, assegurando fluxos independentes entre visitantes, funcionários e logística.

Soluções construtivas – A implantação do estacionamento em subsolo contou com a utilização da contenção em parede diafragma, considerada a alternativa geotécnica mais adequada e viável. Essa tecnologia permite a escavação em terrenos com lençol freático elevado sem necessidade de rebaixamento provisório ou execução de laje de subpressão, o que reduz significativamente os custos com bombeamento contínuo e mitiga riscos de recalques diferenciais em edificações vizinhas, instabilidades do solo e impactos em vias públicas durante a obra. Além disso, a técnica possibilita a adoção de fundações diretas, como sapatas isoladas, em substituição a fundações profundas, conforme indicado pela análise do solo. Essa decisão traz ganhos substanciais em produtividade, prazo e custo, assegurando viabilidade técnica e eficiência econômica ao empreendimento. Uma laje de concreto cobre o estacionamento, estruturando as paredes diafragmas.

Sobre essa plataforma ergue-se a estrutura em madeira laminada colada (MLC), que abriga todo o edifício. Seu desenho expressa, em sua própria materialidade, a vocação sustentável da arquitetura em madeira. O sistema construtivo é simples, modular e racional, orientado pela economia de materiais, pela redução do impacto ambiental, pela facilidade de execução e pela possibilidade de flexibilidade e reversibilidade ao longo do tempo. A concepção estrutural parte de um raciocínio simples: peças de dimensões modestas, de seções reduzidas e comprimentos menores, associadas em sistemas de treliças robustas, aptas a vencer grandes vãos com economia de material e clareza construtiva. Assim, estrutura e forma se expressam de maneira indissociável.

O sistema tridimensional de treliças, formado pelo cruzamento de três peças, cria nós capazes de apoiar tanto elementos centrais quanto laterais e se expressa como linguagem recorrente em todo o edifício. A mesma viga que cobre o vão da piscina coberta pode ser cortada e reposicionada, configurando soluções distintas para cada cobertura. Essa adaptabilidade, associada à clareza didática, revela a riqueza do sistema adotado.

A estrutura de concreto armado que sustenta o teatro e as caixas de circulação vertical foi concebida como um conjunto de volumes independentes, capazes de se erguer de forma autônoma em relação à estrutura principal de madeira. Esses blocos possuem estabilidade própria e, além de cumprirem a função de contraventamento, concentram grandes shafts que atuam como distribuidores verticais das principais infraestruturas — climatização, elétrica e hidráulica — conectando diretamente as áreas técnicas instaladas em suas coberturas. Essa solução garante racionalidade no arranjo das redes, distribuídas horizontalmente pela laje da garagem, pelos corredores técnicos ou pelo espaço entre a pele e a estrutura.
No caso do teatro, a estrutura combina paredes de concreto com sistema de pilares e vigas, conformando um verdadeiro edifício dentro do edifício. Esse núcleo concentra sanitários empilhados e diversas áreas técnicas, reforçando a racionalidade do conjunto. Além disso, incorporou-se um porão de palco com acesso direto à garagem, atendido por elevador específico e corredores técnicos, o que facilita o desembarque de cenários e assegura eficiência nos fluxos operacionais. Dessa forma, os volumes em concreto cumprem dupla função: atuam como núcleos independentes de apoio às infraestruturas e, ao mesmo tempo, estabilizam a estrutura em madeira.

Água como infraestrutura ecológica e cultural - O paisagismo foi concebido como elemento estruturador do projeto, orientando fluxos, zoneamentos e experiências sensoriais no Sesc Thermas de Presidente Prudente. Mais do que um cenário, constitui-se como sistema ativo de espaços livres, onde água, vegetação e topografia se articulam para conformar percursos de convivência, educação e lazer. O conjunto integra aspectos técnicos de drenagem sustentável, valores culturais vinculados à memória da água termal e pluvial, e qualidades paisagísticas que promovem acolhimento e pertencimento.
A lógica geral se organiza a partir de zoneamentos complementares, que qualificam o parque em diferentes intensidades de uso. A praça central, localizada no encontro da Galeria das Águas com o Eixo Paisagem, configura o coração coletivo do conjunto, formada por arquibancadas, lâminas d’água escalonadas e áreas de estar que descem em direção ao gramado central, circundado por um anel de águas correntes. Esse espaço, ao mesmo tempo lúdico e cívico, funciona como palco para eventos, apresentações e atividades cotidianas, em diálogo com a praça externa do teatro. Nas proximidades, uma área lúdica reúne o tanque termal interativo e o parquinho molhado, explorando a água como recurso pedagógico e recreativo.
O teatro, ao se abrir para o parque, conforma outro espaço de sociabilidade: a praça-palco externo, assentada em platô e sombreada pelas copas das árvores, destinada a apresentações culturais e encontros informais. O bosque consolidado, por sua vez, é potencializado com passeios acessíveis, redários e áreas de estar, que promovem contemplação, corrida e descanso sob as árvores.
Em continuidade, as áreas de natureza interativa oferecem circuitos naturalizados que convidam as crianças a explorar troncos, folhas, frutos e insetos, reforçando a imersão no bosque e o vínculo com o ambiente natural. Já a horta agroecológica e o espaço de experimentação integram práticas de cultivo, aprendizado coletivo e vivência ambiental, conectando o lazer à educação ecológica. O Núcleo de Educação Ambiental, implantado como palafita elevada acima da cota máxima de alagamento, desempenha papel estratégico no sistema de espaços livres. Sua cobertura em “V” organiza a drenagem pluvial em continuidade ao edifício principal, estabelecendo unidade formal. Internamente, abriga a lanchonete, sanitários e o Centro de Educação Ambiental, configurando-se como polo de apoio ao parque. Sua localização reforça a proximidade com a horta agroecológica, o espaço naturalizado interativo e a quadra de areia, conformando um eixo ativo de sociabilidade, práticas coletivas e aprendizado ambiental. O córrego da Unesp, reaberto em parte de seu percurso, foi integrado ao projeto por meio de bacias de fitorremediação e lagoas de contenção, transformando a água em infraestrutura ecológica. Seu percurso não apenas cumpre funções técnicas de drenagem e recarga do lençol freático, mas também configura um espaço de fruição, com canais acessíveis ao visitante e riachos que reforçam a memória da paisagem. A Área de Preservação Permanente (APP) é tratada como núcleo ambiental do conjunto, onde o adensamento de espécies nativas fortalece a biodiversidade e a proteção do solo, ao mesmo tempo em que oferece espaços de pausa e contemplação
O conjunto desses zoneamentos e dispositivos paisagísticos faz do Sesc Thermas um parque integrado, onde a água atua como elo entre ecologia e cultura, e onde os espaços livres assumem protagonismo na qualificação ambiental e social. A cada percurso, o visitante é convidado a descobrir novas relações entre arquitetura, natureza e comunidade, numa vivência contínua entre convívio, cuidado e celebração. A presença constante da água no cotidiano do conjunto reforça a identidade do Sesc Thermas. Espelhos, quedas e regatos acompanham os percursos, de modo que o visitante se perceba sempre em relação a esse elemento vital.

Mais do que a soma de soluções técnicas, o projeto estrutura-se a partir de um compromisso com o território em que se insere. O fundo de vale, o bosque existente, a presença das águas pluviais e termais e a memória do córrego oculto são reconhecidos como elementos fundamentais de identidade. A arquitetura nasce desse diálogo, valorizando o parque consolidado e potencializando a paisagem como parte essencial da experiência do visitante. Ao se implantar em continuidade com o relevo e a vegetação, a unidade se integra ao tecido urbano de Presidente Prudente, criando uma interface sensível entre cidade e natureza.
Dessa forma, o Sesc Thermas de Presidente Prudente, sem perder o vínculo com a tradição arquitetônica da instituição, apresenta uma leitura singular do que significa ser Sesc hoje: um espaço de confluência entre território, natureza e sociedade, onde arquitetura, infraestrutura e paisagem se integram para fazer do encontro humano a sua essência.

Ficha Técnica

Autores:
Gil Barbieri, Patrícia Miho Tsunoushi, Thomas Yano, Victor Presser, Barbara Camucce, Ciça Gorski

Colaboradores:
Ana Clara Trench, Bárbara Moura e Oliveira Mühle, Douglas Alexandre Melo de Oliveira, Gabriel Dierings Montechese, Lucas Vassali de Barros, Marcelo Bertolato Bicalho, Marcos Antonio da Silva Martins Filho, Nathan Murilo de Iara, Ricardo Iannuzzi, Tomás Vannucchi, Vinícius Rodrigues Ferreira, Vitória Kananda

Consultores:
Estrutura de madeira – Helio Olga Jr.
Estrutura de concreto – João Akira Okimura de Souza
Geotecnia e fundações – Sérgio Ricardo Pedrozo de Mello
Instalações elétricas e hidrossanitárias – Luiz Olímpio Costi
Sistema de climatização – Guilherme Pena
Projeto de Proteção Contra Incêndio - Ana Flores
Infrasestrutura verde e recuperação de áreas degradadas – Maitê Bueno Pinheiro


MEMORIAL CONCEITUAL

O conceito de “confluência” orienta a concepção do projeto. No terreno destinado ao novo Sesc Thermas de Presidente Prudente, esse princípio se manifesta pela água: a chuva que desce das encostas, as águas termais que afloram do subsolo e o córrego que atravessa o fundo do vale compõem um sistema vivo e dinâmico. O projeto reconhece essas presenças e as integra ao desenho arquitetônico e paisagístico, de modo que a água se torne recurso de cuidado, elemento estruturador e expressão estética.
A leitura do lugar revela a necessidade de compreender os fluxos hídricos como condicionante principal. Em vez de tratados como obstáculo, os caminhos da água foram incorporados ao projeto, orientando percursos, conformando espaços e oferecendo experiências sensoriais. Assim, edifício e parque se complementam, na articulação indissociável entre arquitetura, território, natureza e infraestrutura.

Integração com o território - O conjunto organiza-se a partir de dois eixos principais. O primeiro, transversal, denomina-se Galeria das Águas. Ele conecta a entrada pela Rua Alberto Peters ao fundo do vale, revelando gradualmente a paisagem. Ao longo desse percurso, sucedem-se espaços de convivência, cobertos e ao ar-livre. O segundo, de caráter longitudinal, recebe o nome de Eixo Paisagem. Ele estabelece um passeio sombreado entre a Avenida Luiz Perett e a Rua Alberto Peters, costurando os acessos de pedestres e articulando as diferentes zonas do parque. Na interseção dos dois eixos localiza-se a Praça Central, ponto de encontro do conjunto, espaço de convivência e convergência da arquitetura com o parque.

A implantação do edifício respeitou as condicionantes ambientais. As construções foram erguidas em platôs acima da cota de inundação, aproveitando clareiras existentes e evitando a supressão de árvores. O parque foi concebido como infraestrutura de drenagem, com biovaletas, jardins filtrantes e bacias de retenção. Esses elementos contribuem para a diminuição da erosão, filtragem de sedimentos, recarga do lençol freático e melhoria do microclima. A edificação, portanto, não se sobrepõe ao território, mas atua em sintonia com sua lógica natural.

Estruturação do programa - A organização programática da unidade buscou articular clareza funcional, integração entre atividades e legibilidade dos fluxos. O edifício se estrutura em dois volumes principais: o bloco esportivo, que concentra as atividades aquáticas e esportivas em espaços de grandes vãos, favorecendo a sobreposição de vestiários, áreas de apoio e fluxos; e o bloco cultural, implantado em diálogo com a topografia, onde se encontram o teatro, a biblioteca, os espaços educacionais, o setor administrativo e os ambientes de bem-estar. Entre ambos se estabelece a Galeria das Águas, vazio estruturador que articula os percursos e ordena a circulação geral.

No pavimento térreo, ao nível da entrada principal pela Rua Alberto Peters, localiza-se a praça de convivência, configurada como espaço amplo e acessível, concebido como ponto de recepção e distribuição. Dela partem os principais ambientes de uso público: recepção, loja, áreas de atendimento, sala expositiva, salas multiuso e o foyer do teatro. Nesse mesmo pavimento, uma vitrine descortina as piscinas cobertas situadas em nível inferior, revelando a integração visual entre programas. A biblioteca se posiciona em uma segunda praça, mais reservada, voltada para o bosque, oferecendo um espaço de escala íntima e tranquila, propício à leitura e ao estudo, em contraste com a vitalidade da praça central.

O primeiro pavimento concentra o setor administrativo, com acesso restrito aos funcionários. Esse volume se volta para uma área serena do parque, separado do conjunto público pelo corpo do teatro, o que garante discrição e autonomia no funcionamento interno.
No segundo pavimento, organiza-se uma praça elevada que atua como espaço de encontro e distribuição. A partir dela, o visitante pode observar as salas multiuso, aguardar atendimento na fisioterapia ou odontologia, acompanhar atividades esportivas na quadra poliesportiva ou esperar por usuários nos vestiários. A disposição dos ambientes privilegia a ventilação cruzada e a iluminação natural, qualificando o conforto ambiental.

O terceiro pavimento é ocupado pela sala de ginástica, localizada acima dos vestiários e em continuidade ao grande pé-direito da quadra. Esse espaço mantém conexão visual direta com a área esportiva e com a praça de convivência, além de oferecer vistas amplas para o parque.
A cobertura foi concebida como área técnica. Nela se concentram os sistemas de infraestrutura, incluindo placas solares para aquecimento de água, painéis fotovoltaicos e as unidades condensadoras de climatização. Passarelas técnicas leves asseguram a manutenção segura sem comprometer a estética do conjunto.

O pavimento inferior estabelece a conexão mais direta entre o edifício e o parque. Ali se encontram a comedoria, núcleo central de alimentação integrado a uma ampla varanda aberta que se estende entre escadarias, arquibancadas e espelhos d’água. Esse espaço é ligado logisticamente às docas por um corredor iluminado e ventilado naturalmente, garantindo eficiência operacional. Próximos à comedoria situam-se setores de serviço, áreas técnicas, camarins, vestiários de funcionários e serviços de apoio. No extremo norte, implantam-se as piscinas cobertas, acompanhadas por seus vestiários e áreas de suporte. A piscina externa, tratada como parque aquático, se abre em um amplo solário conectado ao parque, beneficiado por insolação ao se voltar para o norte, plena e configurado como mirante para o vale.
O subsolo, implantado com apoio da laje-plataforma em concreto, abriga o estacionamento de veículos leves, além de áreas de carga e descarga, docas, setores técnicos e de manutenção. Esse nível foi concebido como infraestrutura essencial, assegurando fluxos independentes entre visitantes, funcionários e logística.

Soluções construtivas – A implantação do estacionamento em subsolo contou com a utilização da contenção em parede diafragma, considerada a alternativa geotécnica mais adequada e viável. Essa tecnologia permite a escavação em terrenos com lençol freático elevado sem necessidade de rebaixamento provisório ou execução de laje de subpressão, o que reduz significativamente os custos com bombeamento contínuo e mitiga riscos de recalques diferenciais em edificações vizinhas, instabilidades do solo e impactos em vias públicas durante a obra. Além disso, a técnica possibilita a adoção de fundações diretas, como sapatas isoladas, em substituição a fundações profundas, conforme indicado pela análise do solo. Essa decisão traz ganhos substanciais em produtividade, prazo e custo, assegurando viabilidade técnica e eficiência econômica ao empreendimento. Uma laje de concreto cobre o estacionamento, estruturando as paredes diafragmas.

Sobre essa plataforma ergue-se a estrutura em madeira laminada colada (MLC), que abriga todo o edifício. Seu desenho expressa, em sua própria materialidade, a vocação sustentável da arquitetura em madeira. O sistema construtivo é simples, modular e racional, orientado pela economia de materiais, pela redução do impacto ambiental, pela facilidade de execução e pela possibilidade de flexibilidade e reversibilidade ao longo do tempo. A concepção estrutural parte de um raciocínio simples: peças de dimensões modestas, de seções reduzidas e comprimentos menores, associadas em sistemas de treliças robustas, aptas a vencer grandes vãos com economia de material e clareza construtiva. Assim, estrutura e forma se expressam de maneira indissociável.

O sistema tridimensional de treliças, formado pelo cruzamento de três peças, cria nós capazes de apoiar tanto elementos centrais quanto laterais e se expressa como linguagem recorrente em todo o edifício. A mesma viga que cobre o vão da piscina coberta pode ser cortada e reposicionada, configurando soluções distintas para cada cobertura. Essa adaptabilidade, associada à clareza didática, revela a riqueza do sistema adotado.

A estrutura de concreto armado que sustenta o teatro e as caixas de circulação vertical foi concebida como um conjunto de volumes independentes, capazes de se erguer de forma autônoma em relação à estrutura principal de madeira. Esses blocos possuem estabilidade própria e, além de cumprirem a função de contraventamento, concentram grandes shafts que atuam como distribuidores verticais das principais infraestruturas — climatização, elétrica e hidráulica — conectando diretamente as áreas técnicas instaladas em suas coberturas. Essa solução garante racionalidade no arranjo das redes, distribuídas horizontalmente pela laje da garagem, pelos corredores técnicos ou pelo espaço entre a pele e a estrutura.
No caso do teatro, a estrutura combina paredes de concreto com sistema de pilares e vigas, conformando um verdadeiro edifício dentro do edifício. Esse núcleo concentra sanitários empilhados e diversas áreas técnicas, reforçando a racionalidade do conjunto. Além disso, incorporou-se um porão de palco com acesso direto à garagem, atendido por elevador específico e corredores técnicos, o que facilita o desembarque de cenários e assegura eficiência nos fluxos operacionais. Dessa forma, os volumes em concreto cumprem dupla função: atuam como núcleos independentes de apoio às infraestruturas e, ao mesmo tempo, estabilizam a estrutura em madeira.

Água como infraestrutura ecológica e cultural - O paisagismo foi concebido como elemento estruturador do projeto, orientando fluxos, zoneamentos e experiências sensoriais no Sesc Thermas de Presidente Prudente. Mais do que um cenário, constitui-se como sistema ativo de espaços livres, onde água, vegetação e topografia se articulam para conformar percursos de convivência, educação e lazer. O conjunto integra aspectos técnicos de drenagem sustentável, valores culturais vinculados à memória da água termal e pluvial, e qualidades paisagísticas que promovem acolhimento e pertencimento.
A lógica geral se organiza a partir de zoneamentos complementares, que qualificam o parque em diferentes intensidades de uso. A praça central, localizada no encontro da Galeria das Águas com o Eixo Paisagem, configura o coração coletivo do conjunto, formada por arquibancadas, lâminas d’água escalonadas e áreas de estar que descem em direção ao gramado central, circundado por um anel de águas correntes. Esse espaço, ao mesmo tempo lúdico e cívico, funciona como palco para eventos, apresentações e atividades cotidianas, em diálogo com a praça externa do teatro. Nas proximidades, uma área lúdica reúne o tanque termal interativo e o parquinho molhado, explorando a água como recurso pedagógico e recreativo.
O teatro, ao se abrir para o parque, conforma outro espaço de sociabilidade: a praça-palco externo, assentada em platô e sombreada pelas copas das árvores, destinada a apresentações culturais e encontros informais. O bosque consolidado, por sua vez, é potencializado com passeios acessíveis, redários e áreas de estar, que promovem contemplação, corrida e descanso sob as árvores.
Em continuidade, as áreas de natureza interativa oferecem circuitos naturalizados que convidam as crianças a explorar troncos, folhas, frutos e insetos, reforçando a imersão no bosque e o vínculo com o ambiente natural. Já a horta agroecológica e o espaço de experimentação integram práticas de cultivo, aprendizado coletivo e vivência ambiental, conectando o lazer à educação ecológica. O Núcleo de Educação Ambiental, implantado como palafita elevada acima da cota máxima de alagamento, desempenha papel estratégico no sistema de espaços livres. Sua cobertura em “V” organiza a drenagem pluvial em continuidade ao edifício principal, estabelecendo unidade formal. Internamente, abriga a lanchonete, sanitários e o Centro de Educação Ambiental, configurando-se como polo de apoio ao parque. Sua localização reforça a proximidade com a horta agroecológica, o espaço naturalizado interativo e a quadra de areia, conformando um eixo ativo de sociabilidade, práticas coletivas e aprendizado ambiental. O córrego da Unesp, reaberto em parte de seu percurso, foi integrado ao projeto por meio de bacias de fitorremediação e lagoas de contenção, transformando a água em infraestrutura ecológica. Seu percurso não apenas cumpre funções técnicas de drenagem e recarga do lençol freático, mas também configura um espaço de fruição, com canais acessíveis ao visitante e riachos que reforçam a memória da paisagem. A Área de Preservação Permanente (APP) é tratada como núcleo ambiental do conjunto, onde o adensamento de espécies nativas fortalece a biodiversidade e a proteção do solo, ao mesmo tempo em que oferece espaços de pausa e contemplação
O conjunto desses zoneamentos e dispositivos paisagísticos faz do Sesc Thermas um parque integrado, onde a água atua como elo entre ecologia e cultura, e onde os espaços livres assumem protagonismo na qualificação ambiental e social. A cada percurso, o visitante é convidado a descobrir novas relações entre arquitetura, natureza e comunidade, numa vivência contínua entre convívio, cuidado e celebração. A presença constante da água no cotidiano do conjunto reforça a identidade do Sesc Thermas. Espelhos, quedas e regatos acompanham os percursos, de modo que o visitante se perceba sempre em relação a esse elemento vital.

Mais do que a soma de soluções técnicas, o projeto estrutura-se a partir de um compromisso com o território em que se insere. O fundo de vale, o bosque existente, a presença das águas pluviais e termais e a memória do córrego oculto são reconhecidos como elementos fundamentais de identidade. A arquitetura nasce desse diálogo, valorizando o parque consolidado e potencializando a paisagem como parte essencial da experiência do visitante. Ao se implantar em continuidade com o relevo e a vegetação, a unidade se integra ao tecido urbano de Presidente Prudente, criando uma interface sensível entre cidade e natureza.
Dessa forma, o Sesc Thermas de Presidente Prudente, sem perder o vínculo com a tradição arquitetônica da instituição, apresenta uma leitura singular do que significa ser Sesc hoje: um espaço de confluência entre território, natureza e sociedade, onde arquitetura, infraestrutura e paisagem se integram para fazer do encontro humano a sua essência.

Sesc Presidente Prudente

Finalista concurso nacional de arquitetura

2025

Arquitetura: Gil Barbieri, Patrícia Miho Tsunoushi, Thomas Yano, Victor Presser, Barbara Camucce, Ciça Gorski

Sesc Presidente Prudente

Finalista concurso nacional de arquitetura

2025

Arquitetura: Gil Barbieri, Patrícia Miho Tsunoushi, Thomas Yano, Victor Presser, Barbara Camucce, Ciça Gorski

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